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Lá no sertão

Em 2013, Petrolina será a primeira cidade do Nordeste a atingir 100% de cobertura sanitária

por Ivo Dantas


Divulgação/Codevasf

A anacrônica ideia de que o sertão é uma área improdutiva e pobre vem sendo posta por terra. Um projeto de universalização da rede de saneamento de Petrolina vem demolir o preconceito com a região e serve de base para o desenvolvimento sustentável desta. A 722 km do Recife, o município de Petrolina será a primeira cidade de Pernambuco a ter 100% de seu território coberto pela rede de saneamento básico. Em pleno sertão do rio São Francisco, o município com pouco mais de 4,5 mil km² e 294 mil habitantes ê uma prova do novo momento pelo qual passa o Nordeste.

O projeto será executado através de convênio firmado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e o Governo de Pernambuco, por meio da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), no valor de R$ 65 milhões. Desse montante, 90% virá do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), e 10% de contrapartida do estado, ou seja, R$ 6,5 milhões. As obras devem ser iniciadas ainda este ano e têm prazo de conclusão para dezembro de 2013.

Responsável pela liberação dos recursos destinados para a obra, além da fiscalização na implantação de todo o sistema conveniado, o diretor da área de revitalização de bacias hidrográficas da Codevasf, Guilherme Almeida, justifica a escolha de Petrolina como cidade foco do projeto devido ao destaque que tem recebido, atraindo recursos privados e públicos, como a implantação de uma unidade da Universidade Federal de Pernambuco. "Trata-se de um polo turístico e de atração de investimentos, com grande importância para a economia do estado, principalmente pelo desenvolvimento dos sistemas de irrigação, tornando-se referência em fruticultura e vitivinicultura", explica.

A ampliação do esgotamento sanitário de Petrolina beneficiará 15 bacias de esgotos. Pelos estudos da Compesa, serão implantados 30,5 km de rede coletora, reforma/ampliação de 9 km de coletores/interceptores, 11,5 km de linhas de recalque, 9 elevatórias e 3 ETEs. Para implantação das estruturas da obra, a cidade foi dividida em quatro sistemas, que abrangem os bairros João de Deus, Antonio Casemiro, Dom Avelar e Centro.

Divulgação/Adalberto Marques - MI
Eduardo Campos (dir.): O índice de saneamento no sertão vem crescendo

Atualmente, o município já possui um índice de 78% de cobertura da rede de esgotos. "Já investimos cerca de R$ 30 milhões no saneamento de Petrolina desde 2007. Agora, serão mais R$ 65 milhões em obras de abastecimento de água potável e saneamento. Também vamos comprar os equipamentos para manutenção adequada de todo o sistema de esgoto da sede de Petrolina. É um investimento estruturador da saúde pública", disse o governador Eduardo Campos, durante a assinatura do convênio, em Brasília.

Hoje, a Codevasf executa o esgotamento sanitário em 208 cidades nos vales do São Francisco e do Parnaíba (nos estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Piauí e Maranhão), incluídos nos PAC 1 e PAC 2. Ao todo, estão sendo investidos aproximadamente R$ 2,1 bilhões na implantação de sistemas de esgotamento sanitário. Em Pernambuco, o total de investimento é de aproximadamente R$ 365 milhões, atendendo 29 cidades e beneficiando cerca de 334,5 mil pessoas.

A universalização do sistema de saneamento básico de Petrolina, no sertão do São Francisco pernambucano, faz parte do Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, criado em 2004 pelo Governo Federal como parte integrante da política ambiental compensatória do Projeto de Integração do Rio São Francisco, conduzido pelo Ministério da Integração Nacional.

Entre os objetivos do programa, estão os de recuperar os trechos degradados, recompor as matas ciliares, combater o assoreamento do rio, promover o tratamento dos esgotos e estimular o desenvolvimento das populações que vivem às suas margens. Um dos principais impactos será a preservação do rio São Francisco, grande fonte de riqueza do município e de todo o vale. Segundo cálculos da Compesa, com a ampliação do saneamento de Petrolina, será possível reduzir a carga orgânica lançada no rio São Francisco nos próximos anos.

 

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Edição 22 Julho 2011
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