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Universalização até 2020

Cagece, quarta melhor concessionária do país, coloca saneamento como meta maior

por Ivo Dantas


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Estação de tratamento de esgoto em Juazeiro do Norte

 

Considerada a maior empresa de saneamento básico do Nordeste e a quarta entre as melhores do Brasil, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) completa 40 anos como um exemplo de sucesso no cenário brasileiro assumindo no serviço público um novo desafio: universalizar o acesso à água e esgoto até 2020 em Fortaleza. Para isso, apenas neste ano já foram captados junto ao Ministério das Cidades R$ 256 milhões, como parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Já o Governo Estadual está investindo outros R$ 24,9 milhões, totalizando R$ 280,9 milhões destinados a obras em 2011.

Mas não é de hoje que os resultados têm aparecido. Segundo conta o presidente da Cagece, Gotardo Gurgel, que assumiu recentemente o posto na empresa, o planejamento estratégico começou a ser pensado ainda em 1998. "O direcionamento estratégico está voltado para o desenvolvimento e o crescimento de mercado com excelência operacional e sustentabilidade econômicofinanceira. Traçamos, então, a formulação do mapa estratégico", conta, lembrando que a visão da empresa, até 2016, é "ser uma das duas melhores do seu setor, universalizando, com soluções inovadoras, o acesso da população urbana aos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário".

De olho no cumprimento dos objetivos traçados pelo planejamento estratégico, o Governo Estadual, por meio da Cagece, apresentou junto ao Ministério das Cidades propostas para arrecadar recursos para obras de saneamento básico. Foram propostas de implantações e ampliações de sistemas de abastecimento de água no valor de R$ 140 milhões, além dos sistemas de esgotamento sanitário, R$ 351 milhões, totalizando R$ 492 milhões. Agora, os pedidos serão analisados pela Funasa e pelo Ministério das Cidades.

Descompasso
Atualmente, a Cagece atende 262 localidades com sistemas de abastecimento de água no estado do Ceará, estando presente em 150 dos 184 municípios cearenses, o que corresponde a 82%. Só na capital, a cobertura de abastecimento de água atinge a marca de 98,29%, somando um total de 2.494.425 pessoas beneficiadas pelo serviço da companhia. Já no Ceará, esse índice chega a 96,98%, representando 4.972.719 beneficiados com água tratada em sua residência.

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Gurgel: queremos ampliar serviços para além do Ceará

Já o índice de cobertura de esgoto no estado é de 37,23%, ou seja, 1.897.270 pessoas têm cobertura de esgoto no Ceará, mostrando que ainda há muito o que fazer para atingir a universalização até 2020. Na capital, o número atinge a marca de 53,60%, representando 1.360.313 pessoas com esgotamento sanitário. Em busca da tão aclamada universalização, estão em andamento ações como a construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) Oeste, que melhorará o abastecimento de água em Fortaleza, e o Macrossistema de Esgoto da Capital, que permitirá que 235 mil pessoas de 20 bairros das sub-bacias do rio Cocó tenham esgoto em sua casa. Além disso, estão previstas obras de esgotamento sanitário em 17 bairros da sub-bacia do rio Maranguapinho. Enquanto isso, no interior, destaca-se a ampliação do sistema integrado de abastecimento de água na região da Ibiapaba.

"Todas essas ações são norteadas pelas metas do governo do do Ceará, que apontam para a necessidade de universalização dos serviços de água e esgoto. Nesse sentido, a Cagece se preocupa com a execução eficiente das obras, como também numa gestão equilibrada", explica o diretor-presidente.

Em sua maioria, as obras terão recursos de diversas procedências: FI - FGTS, Orçamento Geral da União (OGU), Pró-Saneamento, Programa do Saneamento para Todos, Tesouro do Estado, Funasa e BNDES, além de recursos próprios da Cagece.

Não satisfeita com seus altos índices de crescimento, a empresa passou a prestar serviços de consultoria

Outra obra de destaque é a execução do ''Em busca de novos mercados''. Há quase dez anos, a Cagece começou a ampliar a área de atuação da empresa. Não satisfeita com seus altos índices de crescimento, a empresa passou a prestar serviços de consultoria a outras companhias do setor. Os projetos de consultoria englobam a análise de estrutura organizacional, processos comerciais, programa de redução de perdas, eficiência energética, soluções em logística, serviços e sistemas tarifários, regulação, planejamento estratégico, dentre outros.

O trabalho é coordenado pela Assessoria de Cooperação Técnica e Novos Serviços (Ascon), mas envolve uma equipe multidisciplinar, o que envolve diversos setores de acordo com a demanda. Até hoje, já foram desenvolvidos 12 programas de cooperação técnica com empresas de todo o país, como a Companhia de Água e Esgoto de Roraima (Caer), Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), Companhia de Água e Esgoto do Rio Grande do Norte (Caern) e Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), no Norte/Nordeste, além da Empresa de Saneamento do Estado de Goiás (Saneago).

Com isso, a empresa pretende ampliar a quantidade de projetos de consultoria, segundo Gurgel. O problema é que a lei de criação da Cagece (Lei Estadual no 9.499 de 20 de julho de 1971) limita a prestação de serviços de água e esgoto ao estado do Ceará. "Apesar dessas limitações, a Cagece consegue, dentro da legalidade, ter convênios de cooperação técnica com empresas de saneamento", informa o diretor-presidente.

A quantidade de convênios demonstra a grande demanda espontânea pelo repasse do nosso conhecimento e experiência. No entanto, as parcerias firmadas não podem seguir adiante devido à impossibilidade de serem assinados contratos de prestação de serviço para outras empresas", explica Gurgel.

 

 

 

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Edição 22 Julho 2011
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