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Ivanildo Hespanhol |
Com a diminuição da oferta de água, a necessidade de busca por alternativas passou a pesar na balança econômica das companhias. Isso porque o empresariado percebeu o retorno financeiro que o tratamento e reúso de águas oferecem, além do próprio benefício ambiental. Termos como “eco-imagem” e “eco-vantagem” começaram a surgir, lado a lado com o crescimento da procura pela pesquisa acadêmica para solucionar e executar trabalhos para o controle de perdas e mudanças no processo industrial.
“Até pouco tempo atrás, a gestão ambiental era um espinho na garganta do industrial. Hoje ele mudou esse conceito, pois tudo que usa o meio ambiente está submetido a uma sociedade extremamente sensível, em relação aos problemas ambientais”, diz Ivanildo Hespanhol, professor titular da Escola Politécnica da USP e diretor do CIRRA (Centro Internacional de Referência em Reúso de Água).
Segundo ele, a indústria percebeu que a área ambiental era uma oportunidade para se aproveitar, e não rejeitar como havia sido feito nos últimos tempos: “a empresa descobriu que hoje vale mais a pena investir na imagem da empresa do que em propaganda e marketing - o retorno é maior”, completa.
O processo de utilização do reúso e tratamento de água teve início na tentativa de redução de custos com relação às taxas de outorga da água. A lei 9433, do Saneamento e Gestão dos Recursos Hídricos no Brasil, estabelece não somente o custo sobre o uso da água, mas também em função de sua carga poluidora. “Dizem que a outorga e a cobrança pelo uso da água é o novo CPMF, que vai onerar. Pelo contrário, é uma medida muito importante, do ponto de vista de conservação: todo mundo usa a água com mais parcimônia e deixa de lançar efluentes contaminados”, avalia Hespanhol.
O professor aponta que com um investimento relativamente pequeno é possível reduzir em 60% o consumo de água de uma empresa, somente através do controle de demanda e reutilização. Para ele um dos principais causadores da baixa disseminação do reúso no Brasil é a ausência de uma legislação indicativa do parâmetro de qualidade.
“Nós temos uma idéia, devido a nossa experiência, mas não há um padrão legal para reúso”. A outra razão é a falta de vontade política: “não temos decisão em nível federal para promover e desenvolver tecnologias. Vamos estudar critérios para subsidiar o reúso, para que as empresas que fazem tenham um abatimento da tarifa. Como ocorre no Japão, por exemplo.”, completa.
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