Notícias :: Home

A nova visão da indústria

Hespanhol destaca que a indústria percebeu que a área ambiental é para ser aproveitada


Fábio Franci
Ivanildo Hespanhol

Com a diminuição da oferta de água, a necessidade de busca por alternativas passou a pesar na balança econômica das companhias. Isso porque o empresariado percebeu o retorno financeiro que o tratamento e reúso de águas oferecem, além do próprio benefício ambiental. Termos como “eco-imagem” e “eco-vantagem” começaram a surgir, lado a lado com o crescimento da procura pela pesquisa acadêmica para solucionar e executar trabalhos para o controle de perdas e mudanças no processo industrial.

“Até pouco tempo atrás, a gestão ambiental era um espinho na garganta do industrial. Hoje ele mudou esse conceito, pois tudo que usa o meio ambiente está submetido a uma sociedade extremamente sensível, em relação aos problemas ambientais”, diz Ivanildo Hespanhol, professor titular da Escola Politécnica da USP e diretor do CIRRA (Centro Internacional de Referência em Reúso de Água).

Segundo ele, a indústria percebeu que a área ambiental era uma oportunidade para se aproveitar, e não rejeitar como havia sido feito nos últimos tempos: “a empresa descobriu que hoje vale mais a pena investir na imagem da empresa do que em propaganda e marketing - o retorno é maior”, completa.

O processo de utilização do reúso e tratamento de água teve início na tentativa de redução de custos com relação às taxas de outorga da água. A lei 9433, do Saneamento e Gestão dos Recursos Hídricos no Brasil, estabelece não somente o custo sobre o uso da água, mas também em função de sua carga poluidora. “Dizem que a outorga e a cobrança pelo uso da água é o novo CPMF, que vai onerar. Pelo contrário, é uma medida muito importante, do ponto de vista de conservação: todo mundo usa a água com mais parcimônia e deixa de lançar efluentes contaminados”, avalia Hespanhol.

O professor aponta que com um investimento relativamente pequeno é possível reduzir em 60% o consumo de água de uma empresa, somente através do controle de demanda e reutilização. Para ele um dos principais causadores da baixa disseminação do reúso no Brasil é a ausência de uma legislação indicativa do parâmetro de qualidade.

“Nós temos uma idéia, devido a nossa experiência, mas não há um padrão legal para reúso”. A outra razão é a falta de vontade política: “não temos decisão em nível federal para promover e desenvolver tecnologias. Vamos estudar critérios para subsidiar o reúso, para que as empresas que fazem tenham um abatimento da tarifa. Como ocorre no Japão, por exemplo.”, completa.

Assine Sumário desta Edição Edições Anterioes
Edição 22 Julho 2011
OK

Folhear
 

Copyright © 2011 - Segmento MC Editores Ltda. - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.