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| Lideranças são essenciais para o desenvolvimento da sustentabilidade |
O livro "Conversas com Líderes Sustentáveis" do jornalista Ricardo Voltolini (Editora Senac-SP, 2011) começou a tomar forma em 2008, quando a revista Ideia Sustentável, realizou um grande ensaio jornalístico, na forma de pesquisa, para avaliar os fatores que contribuem para um avanço maior ou menor da sustentabilidade na gestão das empresas.
Foram ouvidos 30 executivos. E, ao final, concluiu-se quais são os cinco pontos comuns nas empresas em que houve maior evolução. O principal destes é a presença de um líder que acredita apaixonadamente no tema. A prevalência da noção de oportunidade, a inserção na estratégia de negócio, a capacidade de envolver e educar as partes interessadas e a de comunicar, constituem-se nas demais características.
No livro, além de fazer um apanhado teórico da discussão da liderança, contextualizando-a a partir dos desafios atuais da sustentabilidade e com base em ideias de pensadores como Peter Drucker, Charles Handy, Peter Senge, John Naisbitt e Waine Visser, foram entrevistados dez presidentes de empresas consagrados no tema.
Os entrevistados são: Fábio Barbosa (Santander), Guilherme Leal (Natura), Luiz Ernesto Gemignani (Promon), Franklin Feder (Alcoa), José Luciano Penido (Fibria), Kees Kruythoff (Unilever), Paulo Nigro (Tetra Pak), Miguel Krigsner (O Boticário), Héctor Núñes (ex-Walmart) e José Luiz Alquéres (ex - Light).
O principal desafio
Na visão de Voltolini, há vários reptos à obtenção do bom desenvolvimento sustentável. "Com certeza, um destes é o envolvimento e a formação de lideranças para as mudanças intrínsecas ao processo de inserção da sustentabilidade no negócio, na gestão e na cultura da empresa. Aprendi, com a minha experiência, que não se implanta sustentabilidade sem o CEO. Mas também não se faz só com o CEO. Ele precisa ter a capacidade de estimular e mobilizar líderes", explica.
Os líderes sustentáveis retratados no livro se dedicam com empenho a essa tarefa, o quê faz enorme diferença. Uma das conclusões é que líderes com este perfil não estão sendo formados nas escolas de negócio. Como complemento do legado das lições do livro, o autor informa que para a coleta de dados e informações - para o desenvolvimento posterior do texto - foi criada uma Plataforma de Liderança Sustentável, com a participação dos mencionados dez presidentes, cujo objetivo foi identificar, mobilizar, inspirar e conectar em torno dos desafios da sustentabilidade jovens líderes de todo o Brasil.
O caminho sem volta
A sustentabilidade passou a ser tratada com outro senso de urgência a partir do final de 2007 quando o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU anunciou a grave extensão do aquecimento global, a sua relação com as emissões de gases de efeito estufa e os seus impactos no médio prazo. O que até então era uma suspeita, tornou-se uma evidência. Entre as empresas que já integravam o movimento de responsabilidade social, há oito ou nove anos, observa-se que houve uma aceleração importante na consolidação de práticas.
Muitas outras empresas, que não se conectavam com esse debate, reviram sistemas, processos e estratégias de negócio. Assim, o tema sustentabilidade insere-se hoje entre os cinco mais importantes paradigmas de qualquer empresa que deseje ser próspera nos próximos anos. Esse é um caminho sem volta. Quem não pegá-lo será atropelado pelos fatos.
Mercado brasileiro e a nova postura verde/sustentável
Para Voltolini, o Brasil ainda está se adaptando. Estamos numa fase inicial de mudança de racionalidade caracterizada por um conflito entre a cultura ainda predominante do single bottom line, muito focada em controle de custos, em resultados imediatistas apurados nos balanços trimestrais; e a cultura do triple bottom line, fundamentada na intersecção entre os interesses de lucro das empresas e os interesses do planeta e da sociedade. Pressupõe muito esforço, investimento em P&D, revolução em modelos mentais e de negócio. Hoje, no entanto, ao contrário de outros tempos, parece haver uma consciência muito maior de que os limites do planeta vão redesenhar operações de negócio e mercados. E, por isso, já não se discute mais, como no início dos anos 2000 "por que" implantar sustentabilidade, mas "como" fazê-la acontecer, de fato, na gestão.
As lições
Os dirigentes mencionados têm em comum o fato de acreditarem profundamente nos valores embutidos no conceito de sustentabilidade e o praticam cotidianamente, com coerência entre discurso e prática. Compreendem a noção de interdependência entre a dimensão econômica, a ambiental e a social e a tratam como driver de suas escolhas. Têm coragem para enfrentar dilemas e persistência para conduzir mudanças às vezes muito complexas.
"Esses executivos enxergam a sustentabilidade pela óptica da oportunidade e não do risco. Possuem enorme capacidade de dialogar, de buscar sinergias e colaboração, de comunicar propósitos que excedem o do negócio", conclui.
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