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Poucas e boas no mercado Edição 2

 

Apenas três empresas de água e saneamento estão na Bolsa, mas a participação do setor deve crescer
Por Daniela Vianna

Apesar das perspectivas de maior liquidez e lucratividade, a maioria das empresas de água e saneamento está fora do mercado de ações. Atualmente, apenas três grandes do setor estão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - as companhias de saneamento de Minas Gerais (Copasa), Paraná (Sanepar) e São Paulo (Sabesp). Mesmo em pequeno número, elas estão se saindo muito bem. Sabesp e Copasa já integram o chamado Novo Mercado (NM), grupo de empresas que assume o compromisso de atender a regras rígidas de governança corporativa, garantindo maior segurança e transparência ao mercado e aos investidores. Estar no Novo Mercado ajuda a ganhar maior confiança e até reduções nos juros para empréstimos. Sabesp e Copasa fazem parte ainda do IBrX-100, índice que reúne as companhias cujas ações estão entre as 100 mais negociadas na Bovespa.

A Sabesp foi a primeira empresa de economia mista a migrar para o Novo Mercado, em abril de 2002. "Isso é muito positivo para a Sabesp, tanto internamente, no que se refere à gestão, quanto no mercado, para a captação de recursos. Grandes agentes financeiros estão muito atentos para a questão da governança corporativa", destaca Liège Ayub, assessora da Diretoria Financeira e de Relações com Investidores da empresa. Para captar recursos, a Sabesp lançou, em 2006, um Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC), considerado um sucesso no mercado. O FIDC rendeu à companhia R$ 250 milhões. Atualmente, 50,3% das ações são do governo paulista e 49,7%, de acionistas privados, pulverizados entre as bolsas de São Paulo (27%) e Nova York (22%).

Ricardo Campos, diretor financeiro da Copasa, conta que a entrada da companhia na Bovespa, em fevereiro de 2006, foi resultado de uma política de profissionalização e gestão interna, estimulada pelo governo mineiro. Hoje, o Estado de Minas Gerais detém 59,7% das ações, o município de Belo Horizonte tem 9,7% e os outros, 30,6% de ações que estão pulverizadas nas mãos de 5 mil acionistas. A Copasa já conseguiu, com as ofertas primárias de ações, R$ 800 milhões que foram investidos na expansão da empresa.

Enquanto as empresas de água e saneamento na Bovespa contam-se nos dedos da, as de energia elétrica somam 34. Para Roberto Gonzalez, especialista em sustentabilidade e diretor da Apimec Nacional (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais), um dos motivos para essa diferença entre os dois setores está nos respectivos marcos regulatórios. As empresas de energia elétrica contam com um controle rigoroso desde a década de 1990, quando ocorreram as privatizações. Na época, houve uma forte pressão para que fossem criadas empresas abertas, listadas em Bolsa. Já o saneamento conta com um marco regulatório recente, instituído em janeiro deste ano pela Lei de Saneamento Básico. "A tendência é que o setor agora, com a nova legislação, siga o caminho das empresas de energia elétrica", diz Gonzalez. Quanto à rentabilidade das ações de empresas de água e saneamento, Gonzalez lembra que, embora o mercado ainda tenha resistências a empresas estatais, muitas têm apresentado resultados melhores do que as privadas.



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