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Gestão de água nas Américas Edição 2

 

Brasil tem proposta para ação comum de todos os governos do continente
Por Cecy Oliveira

A escassez de água prevista pelo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática já é realidade em várias regiões das Américas. Países como o Peru e o México e regiões do Brasil vivenciam estresse hídrico, com reservas insuficientes para atender às necessidades da população. A mudança climática e o futuro da água foram os temas principais do Sexto Diálogo Interamericano sobre Gestão das Águas, promovido em agosto pelo governo da Guatemala e a Rede Interamericana de Recursos Hídricos (RIRH).

Um dos objetivos do Diálogo 6 foi promover alianças para que as ações dos setores envolvidos com a gestão das águas pudessem melhorar as estatísticas do continente, em que 50 milhões de pessoas ou 9% da população da América Latina e do Caribe não têm acesso a uma fonte de água de qualidade e 125 milhões ou 23% não têm acesso a serviços adequados de esgotamento sanitário (dados de 2004). Somente 51% têm acesso à rede pública de abastecimento e menos de 15% das águas residuais coletadas são dirigidas a uma estação de tratamento de esgotos, que não funciona adequadamente em muitos casos.

Atualmente, 60% da população mundial vive em zonas banhadas por bacias transfronteiriças. Chile e Argentina, por exemplo, compartilham de vinte bacias hidrográficas em um total de 4.500 quilômetros de fronteiras. Somente na Patagônia são doze bacias transfronteiriças. No continente americano, um dos pontos de controvérsia é o compartilhamento da bacia do Rio Bravo, entre Estados Unidos e México. Devido às longas estiagens, o México vem deixando de cumprir uma parte do acordo que prevê a liberação de cotas de água para uso dos Estados Unidos. Como o tratado é de 1944, há uma mobilização para que algumas das cláusulas sejam atualizadas, uma vez que o impacto ambiental das últimas décadas vem se refletindo sobre as condições da bacia.

Outras iniciativas recentes na América Latina são o Projeto para a Formulação do Plano de Ação Estratégico da Bacia do Rio Bermejo, entre a Argentina e a Bolívia, onde a OEA atua como organismo de execução, junto com o Pnuma. O Brasil participa de duas propostas: um projeto conjunto entre Brasil e Uruguai para a Gestão Integrada da Bacia Hidrográfica do Quaraí e o Projeto do Aqüífero Guarani (PAG), que está sendo desenvolvido em conjunto por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

 Cecy Oliveira é editora do portal Água Online.



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