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Medidas contra o desperdício Edição 10

 

Concessionárias e empresas investem em soluções de última geração para economizar energia
Por Marleine Cohen


O sistema hidrelétrico nacional confere ao Brasil uma posição de destaque no ranking das nações mais aptas a gerar energia renovável. Todavia, o gasto excessivo de eletricidade na captação e distribuição de água acaba comprometendo a eficiência do país nesta área.

De fato, a América Latina é uma das regiões menos afetadas pela escassez de recursos hídricos em todo o planeta. Contudo, é um dos lugares onde mais se desperdiça água. Instalações obsoletas das concessionárias ou vazamentos no sistema de pressurização na hora de distribuir a água são fatores que demandam ainda mais energia elétrica para fazer o equipamento funcionar.

Para amenizar o problema, existem soluções técnicas de última geração ao alcance de todas as concessionárias de água e empresas de saneamento dispostas a investir em economia de energia. 
Uma das alternativas é a linha VLT AQUA Drive, da dinamarquesa Danfoss. Trata-se de um conversor de frequência eletrônico para uso exclusivo no setor de saneamento. Segundo Renato Monticelli, gerente de vendas para a área de saneamento para a América Latina, "estes produtos podem ajudar as concessionárias a evitar o desperdício de recursos, pois controlam a velocidade de funcionamento dos motores e isso garante uma redução considerável do consumo de energia em ventiladores, bombas centrífugas e demais aplicações".
Conversores de frequência têm serventia no tratamento e distribuição de água, tratamento de efluentes e na captação de água de rios, lagos e represas, entre outros. Para operar com o máximo de eficiência energética, uma instalação de saneamento deve ter um consumo de energia condizente com a real necessidade de vazão e pressão da água, ensina o porta-voz da Danfoss. Como as demandas de consumo variam de acordo com o período do dia e as estações do ano, por exemplo, este equipamento tem como principal função adequar a velocidade da bomba, e sua pressurização, ao consumo efetivo de água, evitando, assim, desperdícios.

No final da tarde, por exemplo, quando a demanda aumenta, esse conversor é capaz de fazer funcionar, por exemplo, duas bombas e apenas uma porcentagem da terceira, de acordo com as reais necessidades, explica Riccardo Girasole, gerente de vendas da Siemens, outra empresa fabricantes do conversor. "Em horários de consumo reduzido, é possível efetuar o movimento contrário, reduzindo a rotação e colocando para funcionar apenas uma bomba e uma parcela da segunda", explica. Seu funcionamento difere do simples fato de "estrangular" a vazão: "Não há eficiência energética quando isso acontece, porque a válvula continua funcionando a toda carga", explica Monticelli. "Mas se o eixo do motor girar mais devagar, fora dos horários de pico, por exemplo, a vazão será menor e o consumo de energia, proporcional."

Entre os clientes da ­Danfoss, contam-se empresas de saneamento da Bahia, Paraná, Espírito Santo e São Paulo. De acordo com informações da Sabesp, o consumo de energia absorve cerca de R$ 500 milhões ao ano. Outros clientes para a linha VLT AQUA Drive no setor privado são a AMBEV, a Nestlé e a Coca-Cola, empresas que viram, segundo o profissional de vendas da Danfoss, "seu retorno em investimentos voltar entre seis e 14 meses".

"O investimento inicial é mais elevado, mas depois de cerca de dois anos a economia no consumo de energia e de água compensa", completa Girasole, da Siemens.
Monticelli explica ainda que existem vários tipos de conversores de frequência - de 10 HP até 500 HP: "Quanto maior a bomba, maior o tamanho físico dele". Seu custo partindo de R$ 1.000, o modelo mais econômico, até 20 mil dólares, os maiores. A linha de produtos foi responsável, em 2007, pela geração de receita equivalente a US$ 2,5 milhões, em todo o território nacional. Para 2009, a expectativa é de que este montante alcance US$ 6,2 milhões. "O mercado latino-americano é propenso a este tipo de solução tecnológica a julgar pelo aumento do número de clientes", argumenta Monticelli: em 2007 eram 200 empresas; em 2008, 280, dos quais 150 só no Brasil. "A Danfoss acredita que este mercado ainda vai se expandir consideravelmente nos próximos dez anos, pois apenas cerca de 20% dos parques instalados de concessionárias de água no país utilizam conversores de frequência­ e será necessário renovar essas instalações ", prevê.

O mesmo tipo de equipamento é comercializado pela SEW-Eurodrive, que encontra no mercado de saneamento, segundo informações do seu consultor técnico Maurício Gama, um nicho de consumo equivalente a cerca de 1%, ou  R$ 4 milhões entre março de 2008 e fevereiro de 2009. São inversores de frequência que têm como função reduzir a velocidade do motor de bombas, válvulas, ventiladores e agitadores usados no tratamento de efluentes.

Outra opção à disposição do mercado é a geração de medidores PowerLogic da Schneider Electric, que fazem a medição do consumo e da qualidade da energia utilizada por internet. Na família Web Energy, destaca-se o HX-600, segundo Rogério Martins, gerente de Soluções em Automação da Schneider Electric. Martins explica que o equipamento permite obter significativa redução na conta mensal de energia elétrica por meio de monitoração pela web. "Com o produto, é possível ter acesso a todos os gráficos, relatórios, análises e simulações da conta de energia", exemplifica.

O carro-chefe da marca é o modem celular GSM/GPRS 2490, que estabelece conexões para troca de dados entre controladores programáveis e soft-wares de sistema supervisórios instalados em centros de controle operacional. A comunicação permite enviar e receber blocos de dados e mensagens de texto (SMS) e os sistemas de automação já possuem soluções específicas desenvolvidas e testadas para saneamento, reduzindo tanto o tempo de fornecimento quanto o de im-plantação. Segundo Rogério Martins, as soluções apresentadas pela Schneider Electric tornam os sistemas mais eficientes, lucrativos e seguros.



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