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Os gigantes do rio Madeira Edição 10

 

Usinas de Santo Antônio e Jarau vão gerar mais 6.450 MW para atender aos planos de espansão do setor elétrico no país
Por Claudia Izique

Apesar da crise financeira internacional e de seus reflexos na economia brasileira, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério das Minas e Energia, prevê um crescimento de demanda de 5,4% nos próximos dez anos. Esses números constam do Plano Decenal de Expansão de Energia para o período 2008-2010, divulgado em fevereiro, que também prevê investimentos de R$ 766 bilhões no período, que resultarão num incremento de 54.000 megawatts (MW) de capacidade instalada no país. O planejamento decenal é realizado anualmente pela EPE - empresa encarregada pelo governo federal de planejar o setor elétrico brasileiro no médio e longo prazo.

Do total a ser investido, mais de dois terços serão destinados ao setor de petróleo e gás natural, que deverá absorver um montante de R$ 536 bilhões. Cerca de R$ 50 bilhões - 6,5% do volume total previsto - irão para o aumento da oferta de biocombustíveis líquidos, destinados à produção e ao transporte de etanol e biodiesel. O setor elétrico contará com R$ 181 bilhões, destinados ao setor elétrico, que engloba geração e transmissão de energia; terá investimentos de cerca de R$ 181 bilhões nos próximos 10 anos, representando 23,6% do investimento total, incluindo aí a instalação de 36 mil quilômetros de novas linhas de transmissão, que serão incorporadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, nos próximos cinco anos, serão construídos no país 2.5 mil quilômetros de linhas de transmissão e 22 subestações. 

A oferta adicional inclui a energia a ser gerada pelas duas usinas do rio Madeira - Santo Antônio e Jirau -, licitadas em 2008, e que deverão entrar em funcionamento em 2012 e 2013, respectivamente. Santo Antônio já recebeu licença de instalação, que autoriza o início das obras, e a usina de Jirau conta com uma licença parcial, que autoriza o consórcio a iniciar o canteiro de obras. As duas usinas somam 6.450 MW, metade da geração de Itaipu.

As usinas hidrelétricas do rio Madeira já estão entre os grandes projetos de engenharia desta década. Santo Antônio, com um investimento previsto de R$ 9,5 bilhões, terá capacidade de gerar 3,150 mil MW. As obras estão apenas no início, mas a expectativa é que, em seu auge, gere 20 mil empregos diretos. O projeto é de responsabilidade da Madeira Energia S.A, uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) constituída com a participação acionária de Furnas (39%), Cemig (10%), CNO (1%), Odebrecht Investimento em Infraestrutura (17%), Andrade Gutierrez (12,4%) e Fundo de Investimento em Participações - formado por Banif e Santander - (20%). Furnas será responsável pela fiscalização da obra, gestão ambiental e fundiária do projeto, além da operação e manutenção da usina.

As obras da Usina de Jirau serão realizadas pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil, formado pela Suez Energiy, Chesf, Eletrosul e Camargo Corrêa, e estão previstas para começar em abril de 2009.
No caso das duas hidrelétricas, as barragens foram projetadas para baixa queda. A de Santo Antônio terá 13,90 metros e Jirau, 15,20 metros. As turbinas utilizadas serão do tipo bulbo, apontadas pelos estudos de engenharia como as que melhor se adequam às condições locais por não exigirem grandes reservatórios, mas sim grandes volumes e velocidade de água. As áreas inundadas, se prevê, serão praticamente as mesmas que são cobertas pelas cheias anuais do rio Madeira.

A construção das duas usinas está sob a mira do Ibama. No final do ano passado, o Instituto multou o consórcio responsável pelas obras de Santo Antônio em R$ 7,7 milhões pela mortandade de toneladas de peixes. A empresa responsável recorreu, atribuindo a morte dos peixes a uma inversão térmica brusca, que teria alterado as condições da água nos lagos formados pelas ensacadeiras que estão sendo construídas no rio, para a instalação da usina, o que prejudicou o oxigênio da água. O processo está sob a análise do Ibama. Em fevereiro deste ano, o Ibama autuou o consórcio responsável por Jirau pela supressão de áreas de floresta nativa em áreas de preservação permanente. A empresa teria autorização para suprimir 40,83 hectares na margem direita do rio para a construção do canteiro de obras, estradas de acesso, entre outras. Mas a empresa teria devastado também 18,65 hectares de floresta nativa para a instalação do canteiro ambiental.

A licença ambiental prévia concedida pelo Ibama à usina de Santo Antônio estabeleceu 33 condicionantes para que o processo seja finalizado como, por exemplo, a criação de programas de acompanhamento da sedimentação, medição periódica da concentração de mercúrio e acompanhamento do período de reprodução de peixes. No caso de Jirau, os condicionantes envolvem a proteção à ictiofauna, movimento de sedimentos e revolvimento do fundo contaminado de mercúrio, entre outros. O consórcio Energia Sustentável do Brasil se comprometeu, ainda, a aumentar os investimentos também na área social e construir um novo distrito para realocar a população do município de Mutum-­Paraná. A nova cidade contará com sistema de coleta e tratamento de esgoto, sistema de distribuição de água, coleta e tratamento de resíduos sólidos, drenagem urbana e ruas pavimentadas, além de áreas verdes, escolas e postos de saúde.



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