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O futuro das Águas Edição 10

 

Seminário explora viés econômico, político e cultural da gestão dos recursos híbridos no Brasil e busca solução para a crise mundial da água

O Brasil possui a maior reserva de água do planeta, no entanto, várias regiões do país já enfrentam crises de abastecimento. "A água é o começo da vida e sua escassez pode ser o fim dela", alerta Guido Gelli, diretor do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Ao lado de Guido, vários especialistas no assunto, como Sérgio Besserman e Henrique Lins de Barros, debaterão as principais questões que envolvem a formulação e a execução de políticas públicas voltadas para recursos hídricos no Brasil e no Rio de Janeiro, abordando problemas como o aquecimento global, o modelo de consumo e a poluição. O seminário 'Futuro das Águas', promovido pelo O Instituto e o SESC- Rio, acontece nos dias 23 e 24 de março no Auditório Arte SESC.

Na avaliação de Sérgio Besserman, presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável e Governança Metropolitana, que também participará do encontro, "o aquecimento global agrava ainda mais a crise de recursos hídricos ao aumentar a evaporação e modificar o regime e a distribuição das chuvas. E reforça: "O aquecimento global será, provavelmente, a principal causa de desabastecimento de água nas grandes cidades do mundo.  Cerca de 70% das emissões de gases de efeito estufa ocorrem em função da produção ou consumo das cidades".

O modelo de vida adotado nas cidades tem forte responsabilidade na crise da água, explica Henrique Lins de Barros, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. "A produção de produtos descartáveis, uma das características modernas, consome enormes quantidades de água que poderia ser utilizada para o consumo das pessoas e, por outro lado, joga no ambiente uma quantidade crescente de lixo que, por sua vez, polui a água que poderia ser consumida. Um exemplo pode ser ilustrativo: para produzir uma conexão USB gastam-se mais de mil litros de água!", ele alerta.

"Estamos crescendo nesse modelo de aumento de consumo, não só de água, mas de produtos descartáveis, e a população aumenta. A falta de tratamento adequado do lixo produzido tem comprometido as nossas grandes reservas de água, que estão nas bacias hidrográficas e nos aquíferos, reservas de água no subsolo. O que temos de diferente em relação a muitos países é a nossa enorme quantidade de água. O que nos falta é, sem dúvida, uma política de Estado para evitar a poluição das reservas e reduzir o uso da água pela indústria", sublinha Barros.

O enfrentamento da crise tem um lado econômico, acreditam os especialistas. "Infelizmente, a água só será mais valorizada quando passar a ser cobrada. Enquanto não pesar no bolso, isso não muda. Tem muito chão pela frente para tomarmos consciência de que o planeta é um só", afirma Guido Gelli.
Além de discutir assuntos como saneamento, preservação, sustentabilidade, o evento enfocará também as dimensões culturais da água e seu espaço no imaginário coletivo brasileiro. "Estamos pensando a água como elemento da vida num sentido mais abrangente. Este é um problema da ciência, mas não se restringe a ela. Ao contrário, pertence a toda a dimensão da vida", diz Ilana Strozenberg, antropóloga e uma das diretoras d'O Instituto.

De acordo com o pesquisador Paulo Canedo, um entre cada sete brasileiros que moram nas cidades não é servido pela rede de abastecimento de água. "É uma situação absolutamente inaceitável, mesmo para um país em desenvolvimento. A universalização do serviço urbano de distribuição de água tratada deve ser vista como emergência".



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