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Campeã de investimento Edição 10

 

Saneatins a única empresa estadual privada do país, é pioneira no sistema de ligação individualizada
Por Marleine Cohen

Se para a opinião pública é consenso que a região Norte do país continua abaixo do padrão mínimo de desenvolvimento humano, a Saneatins - Companhia de Saneamento do Tocantins - está aí para contestar a ideia. Os números não mentem: pesquisa realizada pelo Centro de Políticas Sociais da FGV (Fundação Getulio Vargas) em 2007 apontou o Tocantins como o estado brasileiro que mais investe em saneamento básico, 10,18% do PIB (Produto Interno Bruto). Uma avaliação preliminar dá conta de que este número aumentou ainda mais em 2008, seguindo uma curva ascendente de 45% assim que entraram em funcionamento os sistemas de Gurupi, Araguaína e Paraíso, no final do primeiro semestre. Comparativamente, ainda de acordo com o levantamento da FGV, os investimentos atuais no setor em todo o Brasil são de apenas 0,09% do PIB. No Distrito Federal, por exemplo, aplica-se em saneamento só 2,71% do PIB.

Mais: no mesmo ano de 2007, o Tocantins ocupava a 29ª posição no ranking das melhores empresas de saneamento do país, no que diz respeito à receita operacional líquida. O faturamento da empresa com serviços de água e esgoto saltou de R$ 120,63 milhões, em 2007, para R$ 131,64 milhões, em 2008, um aumento de 9,1% que reflete os investimentos em expansão dos serviços de abastecimento de água e da implantação de sistemas de esgotamento sanitário.

A Saneatins já abastece com água tratada, dentro dos padrões de potabilidade da água recomendados pelo Ministério da Saúde, 96,2% da população urbana do estado e faz a cobertura com os serviços de coleta e tratamento de esgotos sanitários de 14,1% da população urbana das cidades em que opera, com um diferencial importante: 100% de todo o esgoto coletado é devidamente tratado.

A posição de destaque que assume a prestadora de serviços de um pequeno estado do Norte não é ocasional. Única empresa estadual de saneamento privada do Brasil, a Saneatins previu injeção de recursos de mais de R$ 26 milhões para 2008, o que lhe valeu, no quesito "investimentos", a 30ª posição no ranking das 80 concessionárias brasileiras pesquisadas pela FGV. Na liderança aparece a Sabesp, com R$ 1,5 bilhão, seguida da Copasa, de Minas Gerais, que informou aplicações da ordem de R$ 1 bilhão. A destinação da verba da concessionária do Tocantins teve como objetivo a melhoria dos sistemas de captação de água e a ampliação dos de esgoto sanitário, com obras em execução em cidades como Palmas, Porto Nacional, Gurupi, Paraíso e Araguaína.

Em 2009, estão previstos investimentos da ordem de R$ 25 milhões com recursos próprios, e de cerca  de R$ 7 milhões com recursos contratados do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO). E encontram-se em processo de contratação recursos pleiteados junto ao FNO no valor de R$ 68 milhões, que serão integralmente destinados à implantação de sistemas de esgotamento sanitário em diversos municípios do estado, com aplicações previstas até o ano de 2013.

Matemática à parte, a parceria público-privada que viabilizou a criação da empresa, no final dos anos 1990, resulta em muitos outros benefícios específicos: acenando com a bandeira da sustentabilidade ecológica e econômica, da captação consciente da água e da preservação do meio ambiente, a Saneatins é pioneira na implantação de uma sistemática de cobrança no município de Palmas conhecida como "ligação individualizada de água em condomínios". Consiste em fazer com que cada morador de um edifício pague apenas pela água que consome, deixando, assim, de equiparar a conta de um apartamento onde vive um só morador à de uma unidade onde residem várias pessoas. As vantagens para o consumidor são numerosas: a sistemática evita que ele pague pelo desperdício dos vizinhos e, caso tenha vazamentos, possa localizá-los e corrigir o problema. Segundo estimativas, a emissão de uma conta individualizada permite redução de até 50% do valor a ser pago e redução de até 30% do consumo de água no condomínio.

Preocupada com as condições ambientais do estado, outro serviço prestado pela concessionária de capital misto é a implantação de uma logística operacional que permite identificar rapidamente desvios de água e apurar discrepâncias entre o potencial de consumo e o valor faturado em determinada unidade. Graças ao equipamento usado, conhecido como geofone - uma espécie de bengala dotada de sensor na base e bússola no topo, que propaga ondas sonoras e consegue, assim, rastrear tubulações no solo e identificar com precisão o ponto exato onde ocorrem desvios de água -, ano passado, a Saneatins pôde recuperar cerca de R$ 87,8 do seu faturamento, no período de seis meses, ou o equivalente a 6.515 metros cúbicos de água.

Desperdício de água é uma frente na qual a empresa entende precisar trabalhar: além de investimentos para diminuir as perdas - por exemplo, a instalação de macromedidores para monitorar o consumo de água-, a companhia tem canalizado esforços em ações de conscientização da comunidade em geral e de educação ambiental junto às escolas. Paralelamente, desenvolve programas de recuperação de áreas degradadas, reflorestando-as com mudas de espécies nativas, desassoreando barragens de captação de água bruta e tentando reverter processos de erosão acelerada - as chamadas voçorocas - em áreas como Lizarda, Pium, Palmeirópolis e Dianópolis.

De olho na sustentabilidade ecológica e econômica dos seus projetos, em parceria com órgãos ambientais como a Naturatins, o Ibama e as prefeituras municipais onde responde pela coleta de esgoto e distribuição de água tratada, a Saneatins ainda desenvolve o Programa de Monitoramento Sedimentológico da Sub-Bacia do Ribeirão Taquarussu Grande, em convênio com a Universidade Federal do Tocantins. Objetivo: avaliar a descarga sólida em suspensão na área, que tem 73,67% dos seus 46.307,31 hectares incluídos na Área de Proteção Ambiental Serra do Lajeado (APA Lajeado) e é responsável por 70% da água que abastece Palmas e 100 % da de Aureny's e Taquaralto.

Criada em 25 de abril de 1989, a partir do desmembramento da Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago), ocorrida com a criação do Estado do Tocantins, a Saneatins se tornou uma empresa de economia mista com controle privado em 1998, sendo que 76,5% de suas ações se concentram nas mãos da Emsa - Empresa Sul-Americana de Montagem S/A; 23,4% nas do Estado e 0,0048% nas de outros acionistas.

Inicialmente, a companhia gerenciava apenas 12 mil ligações em 33 municípios, ao longo de 216 quilômetros de rede implantada - o que correspondia, na época, a 12% da população urbana do estado. De lá para cá, muitos desafios se colocaram, entre eles, a criação de novas aglomerações, como a cidade de Palmas, que exigiu a implantação de uma infraestrutura de serviços urbanos em sua totalidade. Outros municípios também não dispunham desse tipo de benfeitoria - Porto Nacional, Paraíso, Guaraí ou Colinas, entre tantos.

Dez anos depois, em fins de 1998, a companhia já contabilizava 151 mil domicílios ligados à rede de abastecimento de água, ou 80,50% da população urbana do estado. Hoje, a Saneatins faz chegar água tratada a mais de 266.842 mil unidades consumidoras em 125 municípios do Tocantins. Já com o processo de universalização iniciado, a empresa começa a operar em mais seis municípios no Estado do Pará. Desse percentual de abastecimento, 89% das ligações cadastradas contam com o Programa Sifec (Sistema de Faturamento e Leitura Simultânea), software que permite fazer uma rápida leitura do volume de água consumido e resolver problemas como débitos em atraso ou, ainda, gerar ordens de serviço na porta da casa do consumidor.

Em 2002, a empresa se submeteu à primeira auditoria externa para certificação do processo de produção de água tratada do município de Palmas. No ano seguinte, obteve a ISO 9001:2000 da SGS Certificadora. Depois de novas auditorias externas e internas de acompanhamento, em dezembro de 2006, o Sistema de Gestão da Qualidade foi mais uma vez certificado por três anos.



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