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Tecnologia da preservação Edição 11

 

Por Claudia Izique

A energia renovável tem participação crescente na matriz energética brasileira. Entre 2006 e 2007, cresceu 7,6% contra 4% de aumento na oferta da energia não renovável. O petróleo e derivados ainda têm participação de 37,4%, mas a cana-de-açúcar, com 15,9%, já é a segunda mais importante fonte primária de energia do país, suplantando a hidráulica, com 14,9%. O Brasil domina, há três décadas, a tecnologia de produção de etanol produzido a partir da cana. Na última safra produziu algo em torno de 17 bilhões de litros de álcool combustível, mais de 30% do total mundial, com uma produtividade média considerada alta, de 6 mil a 8 mil litros por hectare.

A produção do etanol - e de milhões de toneladas de açúcar - consumiu 490 metros3 de água, volume que vem reduzindo a cada década. Em 1990, as usinas utilizavam, em média, 5,6 metros3 de água por tonelada de cana produzida. Em 1997, caiu para 5 metros3 e, atualmente, algumas usinas já estão trabalhando com uma média de 1 metro3 de água por tonelada de cana. Esse desempenho é resultado de investimentos em pesquisa e no desenvolvimento de novas tecnologias de produção e utilização do solo, entre outras, que permitem reduzir o impacto da produção do combustível no meio ambiente, desde o campo até a indústria.

A pesquisa é o caminho para a sustentabilidade.  Não é por menos que a Sabesp firmou termo de cooperação com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para patrocinar projetos de investigação que envolvam pesquisadores da empresa, das universidades e de institutos de pesquisa paulistas. Serão investidos ­R$ 50 milhões ao longo dos próximos cinco anos, sendo a metade proveniente da Fundação e a outra metade da Sabesp. A intenção é buscar solução para o aumento da eficiência nos processos de tratamento de água, o monitoramento da qualidade da água, a redução da quantidade de lodo produzido e sua reciclagem, a diminuição do consumo de eletricidade na operação de sistemas de saneamento, o combate à perda de água nas tubulações, além de estudos econômicos sobre o desenvolvimento do setor de saneamento.

Esta edição, além das estratégias do setor sucroalcooleiro para reduzir o consumo da água e os esforços da Sabesp e dos pesquisadores paulistas na busca de novas tecnologias para o setor de saneamento, traz notícias de resultados concretos da investigação científica: um novo sistema de irrigação desenvolvido pela Esalq com impacto positivo no consumo de água. É a ciência brasileira se traduzindo em inovação e contribuindo para a preservação ambiental.

Claudia Izique
Editora



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