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Pronta para crescer Edição 12

 

Perenne vende 30% do capital para fundo de investimento da Rio Bravo e à Aquapura
Por Claudia Izique

A Perenne vendeu, em julho, 30% de seu capital ao fundo de investimento Nordeste II, administrado pela Rio Bravo (15%), e à Aquapura, uma empresa da Greentech, gestora de investimentos com foco em negócios sustentáveis (15%), numa operação simultânea. A fabricante de máquinas, equipamentos para tratamento de água e de efluentes para sistemas industriais e de abastecimento público utilizará os recursos para se fortalecer em alguns segmentos de atuação, de acordo com José Renato Santiago, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Perenne.

Os planos de crescimento da empresa atendem à demanda do mercado de saneamento,  em franca expansão nos últimos anos, mas também responde a questões colocadas por uma lei ambiental cada vez mais exigente amparado em tecnologias cada vez mais em conta, tanto para o fabricante como para o consumidor. "Esse é o nosso diferencial", salienta Santiago.

Um dos pontos fortes da empresa para o tratamento de água é o sistema de osmose reversa. "Na Europa, só se fala em osmose reversa, uma tecnologia mais limpa. O sistema tradicional, de troca iônica, exige que se faça, diariamente, a recuperação das resinas e, para tanto, é preciso utilizar produtos químicos, entre eles, vários ácidos. Isso resulta em efluentes que tem que ser descartados no meio ambiente. Em alguns países já foram mais longe: proibiram a utilização de sistemas de troca iônica", afirma Santiago.  No sistema de osmose reversa, a limpeza das membranas é trimestral e a concentração de produtos químicos - e de efluentes -, é muito menor, além de ser uma tecnologia "com custo cada vez menor", como ele sublinha.

A Perenne desenvolveu a tecnologia de osmose reversa em parceria com institutos de pesquisa. A empresa tem áreas de pesquisa e desenvolvimento instaladas em Feira de Santanta, na Bahia, onde está instalada a sede da empresa, São José dos Campos e São Paulo. Também faz pesquisas em parceria com o Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra), da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), que realiza investigações sobre novas tecnologias de reúso no país. "O laboratório do Cirra foi um investimento da Perenne", ele diz.

Na avaliação de Santiago, foram os investimentos em novas tecnologias e a posição de destaque da empresa num mercado promissor que atraíram investidores. "Nos últimos cinco anos, a Perenne multiplicou por dez a sua receita", enfatiza Santiago.

O aporte de capital permitirá que a empresa amplie dois projetos desenvolvidos para a Petrobras nas refinarias de Capuava, na Grande São Paulo, e Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos. "Na Revap, estamos implantando um tratamento inédito de borra oleosa, um resíduo gerado na indústria do petróleo que, em geral, é seca antes de ser descartada. Nossa tecnologia, em parceria com uma empresa italiana, permite a recuperação da borra oleosa e seu uso como combustível dentro da própria empresa", ele diz.  Em Capuava a Perenne implantou sistema de osmose reversa de 100 m3/hora. Além dos equipamentos, também opera a estação de tratamento de água da refinaria.

A Perenne foi criada no início da década de 90. Na época, oferecia ao mercado soluções para a dessalinização de água. "Aos poucos, desenvolvemos também tecnologia para tratamento de água e de efluentes, ampliando o nosso escopo de trabalho", conta Santiago. "Temos mais de cinco mil equipamentos de dessalinização instalados no Nordeste, em plataformas de petróleo, em embarcações e em Fernando de Noronha e presença também em outros setores da indústria como o de papel e celulose, automobilístico, sucro-alcooleira, alimentício, farmacêutico, entre outros", ele menciona. A empresa se prepara para fechar contratos também no exterior, na América do Sul e na África. "Em breve, teremos novidades".



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