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Da Liga das Nações à COP de Copenhague Edição 13

 

As lições da história podem ser mais úteis nestes tempos do que as previsões dos cientistas
Por Dal Marcondes

No início dos anos 30 a Alemanha e o Japão iniciaram uma corrida armamentista que envolveu todas as principais potências do mundo. A Liga das Nações, organismo que antecedeu à ONU, debateu durante anos mecanismos para evitar uma nova guerra, sem sucesso. A II Guerra Mundial não foi surpresa. De 1939 a 1945, quando o Japão se rendeu, mais de 50 milhões de pessoas tinham morrido e cerca de 30 milhões ficaram mutiladas.

Hoje, fala-se em 360 milhões de mortos nas regiões mais pobres do mundo caso a temperatura global fique em média 2 C° mais quente. Haverá problemas de quebra de safras agrícolas, enchentes e eventos climáticos extremos, que, aliás, já começaram. A tragédia que se avizinha desponta como uma inexorabilidade.

A COP 15, em Copenhague, não pode repetir o fracasso da Liga das Nações. É preciso que um pacto global seja buscado para uma redução drástica das emissões de gases estufa. Existem modelos que apontam para possibilidades de redução a curto prazo, como a preservação florestal e a transformação nos padrões de eficiência no uso de energia. Pensadores, economistas, filósofos e políticos ao redor do mundo estão fazendo proposições bastante razoáveis sobre as mudanças de paradigmas necessárias para uma transformação da economia.

No entanto, os fluxos de dinheiro vão correr por outros caminhos. E o status quo da economia e da política não consegue deixar de contabilizar perdas individuais ou setoriais. Talvez este seja o mais forte obstáculo às mudanças. Nas fileiras da sustentabilidade se busca a prova de que na nova economia, baseada em valores que pressupõem a solidariedade intergeracional, não é mais possível dilapidar o patrimônio que deveria ser preservado para os seres humanos do amanhã.

A questão parece ser em relação ao gatilho que motivaria a humanidade a empreender os esforços para salvar-se enquanto espécie.  Grandes empresas já perceberam os riscos que as mudanças climáticas oferecem aos seus negócios. Estão desenvolvendo políticas de mitigação, independentes do que pode ser acertado em uma conferência como a de Copenhague. Um dos mais pragmáticos pensadores das questões climáticas, Lester Brown, diz que um dos sinais mais preocupantes de ruptura é a falência e desintegração de Estados. E isto já está acontecendo na África e em alguns lugares da Ásia. A tendência é chegar a centros mais importantes. Talvez seja o caso de chamarmos os historiadores. Eles estão mais acostumados a tratar de holocaustos.


Dal Marcondes é Diretor da Envolverde.



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