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Jornalismo depois do dilúvio Edição 14

 

Editorial da edição

O ano de 2010 começou com sinais no mínimo preocupantes para quem observa as reações do planeta e a frequência das tragédias naturais, muitas delas relacionadas à água. Não bastassem os terremotos devastadores no Haiti e no Chile, houve nevascas fortíssimas na América do Norte, enchentes no Peru e na Ilha da Madeira, seca na Venezuela, além de uma série de outros eventos em vários pontos do mundo, com temperaturas extremas, mudanças bruscas de clima, etc.
No Brasil, tivemos as chuvas intensas que causaram deslizamentos de terra e dezenas de mortos em Angra dos Reis e Ilha Grande. Na capital paulista, um bairro inteiro - o Jardim Romano, à margem do rio Tietê - transformou-se em "área de inundação permanente", deixando centenas de pessoas desabrigadas.

Uma das funções mais importantes do jornalismo é relatar essas tragédias, sem alarmismo ou sensacionalismo, mas com objetividade e espírito público, informando sobre os perigos, o socorro às vítimas, as necessidades de ajuda e o desagradável, mas necessário, balanço de perdas e danos. A imprensa também deve ajudar a população a estabelecer a conexão entre os fatos, relacionando causas e efeitos, até para apontar formas de minimizar o trauma de futuras catástrofes.

Num outro plano, não menos importante, o jornalismo deve investigar e destacar a busca de soluções para esses problemas e de uma convivência mais harmoniosa com o meio ambiente. O homem não é responsável pelos fenômenos climáticos, mas a ação humana pode influenciar sua intensidade e suas consequências. Cabe aos veículos de comunicação mostrar que as condições naturais, por mais adversas que sejam, não precisam resultar em dramas humanitários.
A matéria de capa desta edição surgiu desta perspectiva. Trouxemos de Santa Catarina não apenas a dolorosa lembrança da enchente de 2008, mas também um exemplo de como a sociedade é capaz de reconstruir sua história, mudar seu destino e extrair lições do ambiente natural. Mesmo depois que tudo parece ir por água abaixo.

Hélio Batista Barboza
Editor


Errata

Na reportagem Mais oferta de energia elétrica, (Água - Gestão e Sustentabilidade, Ano 3, nº 13 - Novembro e Dezembro de 2009), a Duke Energy Geração Paranapanema é citada como responsável pelo investimento na construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Na realidade, a investidora é a Duke Energy Brasil.

A Duke Energy Brasil é uma holding que controla algumas empresas, entre elas a Duke Energy Geração Paranapanema, responsável pela geração de energia elétrica em oito usinas hidrelétricas ao longo do rio Paranapanema, divisa entre São Paulo e Paraná.

As Pequenas Centrais Hidrelétricas, citadas na matéria, estão sendo construídas no rio Sapucaí-Mirim, pela DEB Pequenas Centrais Hidrelétricas, outra empresa da holding.



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